Acordo entre governo baiano e Michel Temer

Negado por seus articuladores depois que malogrou, o acordo entre o governo baiano e Michel Temer (PMDB), pelo qual deputados baianos votariam contra o prosseguimento da denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o peemedebista em troca da liberação de um empréstimo de R$ 600 milhões do Banco do Brasil ao Estado, só foi desfeito por causa do bombardeio que sofreu diretamente do DEM e de deputados baianos da base de apoio ao presidente da República, indignados com a perspectiva de um petista como Rui Costa (PT), que desde o princípio chama o primeiro mandatário de “golpista”, ser beneficiado com verbas federais.

“Agora, quero ver eles voltarem a chamar o presidente Temer de golpista”, comemorava ontem em Brasília um deputado democrata, depois que o acerto fora suspenso, observando ironicamente que o peemedebista não foi eleito na chapa do partido, mas do PT e por isso os hoje oposicionistas eram bem vindos à base, desde que cumpridos alguns requisitos de “constrangimento” e sabendo que seus pleitos ficariam em último lugar na fila. De acordo com ele, logo que o acordo vazou, na manhã de terça-feira, o partido sinalizou ao presidente da República que já havia votos suficientes para derrubar a denúncia do Procurador Geral da República na Câmara.

Por este motivo, os deputados baianos comunicaram ao ministro Antonio Imbassahy (secretaria de Governo), que já preparava seu retorno à Câmara para ajudar no placar favorável ao presidente, que Temer não precisava negociar nada com o PT baiano. O acordo fora costurado do lado de Rui por Otto Alencar, que o defendera publicamente na segunda-feira à noite, numa reunião que o governador fez com toda a bancada dos partidos que o apóiam na Bahia – alguns dos quais também na base de Temer -, na qual o senador prometeu, inclusive, que faria uma denúncia por semana contra o governo federal, caso o entendimento não fosse honrado.

Antes de terminar o encontro e para evitar que os partidos mais à esquerda, como o PT, o PCdoB e o PSB, ganhassem força na tese contra o acordo e o inviabilizassem no evento, Rui decidiu exonerar os secretários Josias Gomes (Relações Institucionais) e Fernando Torres (Desenvolvimento Urbano), encerrando o assunto. Na articulação que fez para derrubar o acordo, o DEM chegou a envolver diretamente o ministro da Educação, Mendonça Filho, indicado pelo partido, que, no momento mais crítico da pressão exercida sobre o governo, ameaçou com a saída da sigla e a sua própria do governo, caso prosperasse o entendimento com o PT baiano.

Um parlamentar de um outro partido da base de Temer contou a este Política Livre que os aliados baianos do presidente decidiram partir para cima do governo para inviabilizar o entendimento depois que, ainda na terça-feira à noite, o governador baiano e alguns dos seus correligionários, como o secretário Jaques Wagner (Desenvolvimento Econômico), foram às redes socias praticamente negar que estivesse em curso qualquer ajuda a Temer. “Mendoncinha aproveitou a oportunidade para dizer ao presidente que, se eles (os petistas) não tinham coragem de admitir o acordo, eles não podiam ser jamais tratados como aliados do governo”, relatou.

Até então, a idéia era realmente formalizar o empréstimo ao Estado da Bahia, cujas formalidades já haviam sido todas cumpridas, mas exigir que o governador fosse assiná-lo no gabinete do presidente da República, de forma a demonstrar que se tratavam de recursos do governo federal. Com medo de provocar uma cisão na base por causa de uma adversário que se aproximava e perder um aliado que comanda a Câmara dos Deputados, na pessoa do deputado democrata Rodrigo Maia (RJ), Temer decidiu ligar pessoalmente para o prefeito ACM Neto. Amigo-irmão do presidente da Câmara, Neto ouviu diretamente da boca do presidente da República que não fizera qualquer acordo com o PT baiano.

Agora, só Deus sabe quando os recursos que seriam destinados ao Metrô e a obras infraestruturais, como estradas pelo interior da Bahia, serão liberados.

Fonte: politicalivre

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