Ex-lateral do Palmeiras e Bahia sofre com dívidas a agiotas e pede ajuda…

Zanata (centro) levou calotes de clubes e hoje passa por momentos difíceis
Zanata (centro) levou calotes de clubes e hoje passa por momentos difíceis

Ser um dos melhores laterais de sua época e passar por grandes clubes brasileiros – e até chegar à seleção – não foi o suficiente para Zanata, 59 anos, fazer o tradicional “pé de meia” e hoje viver uma vida tranquila no Rio de Janeiro, onde nasceu e reside atualmente. O ex-jogador de Bahia, Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG não soube administrar o dinheiro depois que pendurou as chuteiras, levou calotes de diversos clubes do qual foi treinador e hoje pede ajuda a alguns ex-companheiros para quitar dívidas com agiotas e até de supermercado.

A conversa de Zanata com o UOL Esporte que iniciou em um tom alegre e descontraído – recordando os bons momentos da carreira – foi, aos poucos, tomada pela emoção. Com a voz embargada e contendo-se para não desabar, o ex-lateral e hoje treinador (mas sem clube) abriu o jogo e falou sobre os momentos complicados pelo qual vem passando.

“Eu passo dificuldades financeiras, estou há dois anos desempregado, cheio de dívidas, com problemas… Meu último emprego foi no Icasa-CE, há dois anos, e ninguém me pagou. O meu contrato era de boca, não tem como entrar na Justiça. Não tem nada assinado. Hoje eu teria para receber de uns dez clubes, de 80 a 100 mil reais, vamos pôr por aí…”, conta Zanata, que hoje mora com a filha de dez anos no bairro de Irajá, na periferia do Rio de Janeiro.

Arquivo pessoal

“Tu não recebe salários nestes clubes [Norte e Nordeste]. Os caras sabem que você é do Rio de Janeiro e não te pagam. Sabe o que eles falam para gente? ‘Ah, eu vou te pagar, tu vai para o Rio e eu envio o dinheiro’, e eu falo: ‘Amigo, tu não vai mandar para a minha conta porque eu estou a 500 metros de você e não me paga, como é que a 2.500 km você vai me pagar? Vocês não vão me pagar’. Na Bahia, o Fluminense [de Feira] e o Feirense me pagaram, mas do resto ninguém pagou. Dirigi o Atlético de Alagoinhas e ninguém me pagou. Time pequeno tu vai sem família, viaja tantos quilômetros e os caras não pagam, e você fica sem receber. A tua vida fica em risco, sabe por quê? Tu vê naqueles ônibus de times pequenos, um motorista viajando mil km, de madrugada, etc., e a estrada não é perigo para você? E a gente vai sem família, sem nada, é triste”, desabafa o ex-jogador, que precisou recorrer até a agiotas para tentar acabar com as dívidas. Mas não conseguiu, e elas só continuam aumentando.”Eu não fico na porta de botequim bebendo ou pedindo coisas. Eu devo, eu não corro, tem que dar satisfação para onde você deve. Eu estou enrolado com dois agiotas, pagamentos de mercado, e agiota sabe como é, né? Eles cobram mesmo. Eles não me ameaçam porque conhecem a minha conduta, conhecem meus familiares. Eu tenho aqui a minha garotinha e preciso pedir socorro para os meus amigos. São nessas horas que você sabe quem são seus verdadeiros amigos. Quando você está com dinheiro aparecem falsos amigos”, conta o jogador, que precisa de cerca de R$ 6 mil para acabar com as dívidas.

“Para um agiota eu pedi mil reais, já tem 5 meses… De mil reais já foi para R$ 3 mil, vai virando bola de neve. Eu não queria fazer isso, mas pela gente aqui em casa eu tive que fazer. Para outro agiota eu pedi R$ 1.500, já faz dois meses, e já está em dois e pouco também. Eu ainda não paguei. A gente não vai pagando os juros e vai virando bola de neve. Este de 1.500 já está em 2.100, de mercado tem 800 reais, então hoje eu preciso de uns seis mil reais para zerar as dívidas, e uns 10 mil reais para recomeçar e ficar com a cabeça boa. Para se ter uma ideia: para te atender ao telefone eu vim aqui num lugar distante, estou a 3 km da minha casa para eu não dar base para ninguém escutar esta conversa. Eu sou assim, eu assumo. Eu pedi, quem assume sou eu. Eu dou satisfação aos agiotas, não corro deles, e eu vou cumprir. Eu sei que vão ler tudinho que estou falando aqui, mas entreguei a Deus. Eu não estou traficando, não ando em boca de fumo, não ando roubando ou bebendo, e tenho fé que eu vou sair desta”, acrescenta.

Ajuda de Marcelinho Carioca e outros…

Ex-companheiros e amigos de Zanata prometem ajudar o parceiro. Durante a entrevista, o ex-lateral fez questão de citar quem vem tentando ou ao menos demonstrar interesse em contribuir para que suas dívidas sejam zeradas – ou pelo menos minimizadas.

“Quero agradecer a seleção máster de São Paulo, o Marcelinho Carioca… Eles ficaram de me ajudar, pediram o número da minha conta, então eu agradeço a eles. O Marcelinho Carioca falou de mim no Bem Amigos [programa da Sportv], é um irmão meu, jogamos juntos, tenho certeza que tem um bom coração, é cristão como eu”, disse Zanata, que ao longo da entrevista ainda fez agradecimentos à seleção máster do Ceará e outros tantos amigos. “Tem o Jó de Feira de Santana, ele está fazendo alguns chaveirinhos para revender e o Fred que é do grupo da Bahia de ex jogadores. “Deus coloca no deserto, mas depois nos tira e dá a vitória. Eu sou evangélico há 13 anos”, revela, emocionado.

Quase largou o futebol e provocou Ba-Vi por sua contratação

Revelado pelo Botafogo-RJ, Zanata começou a ganhar destaque no futebol baiano, atuando pelo Catuense-BA. Depois de três anos no clube, chegou até a pensar em parar de jogar futebol, mas se tornou alvo de uma disputa entre Bahia e Vitória – vencida pelo primeiro – e seguiu carreira.

Reprodução

“Depois do Catuense o Vitória me contratou, fez um pré-contrato no final do ano, e aí avisei: ‘vou para o Rio de Janeiro’. E quando eu estava de férias, o Antônio Pena [dono do Catuense] me ligou e disse: ‘O Paulo Maracajá [presidente do Bahia na época] quer falar com você’. Aí eu falei: ‘Como? O Vitória já acertou comigo, eu já tirei fotos com a camisa do Vitória, até saiu nos jornais de Salvador’. Aí o Paulo Maracajá me ligou e disse: ‘Tu não é mais do Vitória, tu é do Bahia, eu contratei você e o Bobô’. Ele passou por cima do Vitória; é aquela guerra de Bahia e Vitória”, recorda Zanata, que foi tricampeão baiano pelo Bahia (1986/87/88).

Mentiu para ajudar presidente em eleição… E perdeu o BR de 88

Antes de se transferir para o Palmeiras, no começo de 1988, Zanata precisou ‘dar uma mãozinha’ para o então presidente do Bahia, Paulo Maracajá, o qual classifica como ‘um dos maiores presidentes que conheceu’. Na ocasião, o dirigente concorria ao cargo de deputado e não queria se queimar com a torcida do Bahia. Coube a Zanata amenizar a situação com os ‘eleitores’.

“O Bahia não queria me vender porque o Paulo Maracajá era candidato a reeleição para deputado. Ele se reuniu comigo e com um rapaz da televisão e falou: ‘Se eu te vender eu não vou ganhar a minha candidatura, eu não vou ser reeleito’. Olha que situação ele me deixou. E ele continuou dizendo: ‘Eu não sou maluco de te vender. Eu vou vender o maior ídolo? Para você sair do Bahia tu tem que falar que é você que quer sair, e não eu que estou te vendendo'”, conta Zanata, que apesar do episódio constrangedor voltou a elogiar o ex-dirigente.

“O Maracajá era f…, sempre armando essas coisas. Era tudo jogada ensaiada. Aí eu tive que ir à televisão dar umas entrevistas: ‘Desculpe, torcedor do Bahia… Foram quatro anos aqui, eu fui o melhor lateral direito, cheguei à seleção brasileira, a minha família é do Sudeste, o Palmeiras quer me comprar, não é o Bahia que quer me vender’. Eu tive que fazer isso para tirar o dele da reta. Ele era uma águia, a maior águia que tinha no Brasil é Paulo Maracajá. Ele é muito inteligente, um dos maiores que eu já vi. E aí eu fui para o Palmeiras”, lembra Zanata, que deixou o Bahia justamente no ano em que o time conquistaria o título do Brasileiro.

“Saí em 88 acabei não sendo campeão brasileiro pelo Bahia. Eu me arrependi. Fui tricampeão baiano pelo Bahia e na hora de ganhar um Brasileiro eu saí, mas Deus sabe de todas as coisas, como é que eu ia adivinhar? Eu fui para o Palmeiras ganhando três vezes mais do que eu ganhava no Bahia, estava perto de casa, e estava num clube em que eu poderia voltar para a seleção”.

Problema com Leão no Palmeiras: “não podia comer biscoito”

Apesar da amizade com Leão, Zanata recordou uma história curiosa do técnico que inclusive o motivou, de certa forma, a deixar o Palmeiras em 1988 – para defender o Atlético-MG.

“Eu tive um problema com o Leão, que era treinador. O Leão ficava olhando jogadores no quarto, não podia comer biscoito, e eu achei aquilo terrível. Dava 22h e ele entrava nos quartos na pré-temporada, em São José dos Campos… E aí, no Carnaval, ele falou: ‘Quem não está satisfeito pode falar para ir embora’, aquele negócio do Leão, que hoje é um grande treinador e grande caráter, aprendi muito com ele, mas eu era garoto e a gente erra… Ele é sincero, eu gosto dele, mas voltando ao assunto: eu falei que não estava satisfeito”, recorda.

“E num treino do Palmeiras um representante do Atlético-MG disse: ‘Eu quero falar com você. O Atlético me mandou aqui porque quer contratar você, o Jair Pereira [então técnico do Atlético-MG] mandou te contratar’, mas era época de Carnaval, tinham uns dias de folga, e eu voltei ao Palmeiras. Nos reapresentamos no Parque Antártica e um repórter falou: ‘Zanata, o Leão falou que você está reintegrado’. O Leão gostava de mim, ele sabia que eu tinha jogado com o Neto, com o Gaúcho… E eu falei: ‘Eu continuo com a mesma opinião, bato na mesma tecla eu não quero, se ele me reintegrou eu não sei’. Aí o repórter foi para cima do Leão e falou: ‘Você falou que reintegrou o Zanata, mas ele não sabe de nada’. Aí pronto, o Leão falou: ‘Desce o material dele, não vai mais viajar para São José dos Campos’. E aí o Palmeiras falou: ‘Pode ir para o Rio de Janeiro’. Foi quando o Atlético-MG me comprou”, lembra Zanata.

Recebeu até ameaça de morte em seu último clube

Zanata encerrou a carreira no Moto Clube, do Maranhão, aos 34 anos de idade – em 1992. Foi, aliás, onde viveu um dos piores momentos da vida profissional, com direito até a ameaças de morte por parte de um dirigente.

“Eu passei um sufoco lá. Tinha dirigente que ia no hotel, queria me pressionar porque eu não joguei bem… Teve um jogo que eu não joguei no interior e o dirigente já veio me cobrando; tinha até um dirigente falando que ia me matar, olhou a minha conta no banco, e eu falei: O que é isso? Isso não existe, que fim de mundo é isso aqui’? Por ver essas coisas, que eu parei de jogar, encerrei a carreira. Pô, dirigente ligando para o hotel, dizendo que ia me matar, olhou a minha conta no banco e o cara do banco deixou… O que é isso?”, desabafou.

Podia ter jogado a Copa de 1990, mas lesão impediu

Convocado para a seleção brasileira em 1987, Zanata lamenta não ter disputado a Copa de 1990. Segundo ele, uma lesão prejudicou sua participação no Mundial.

“Foi com o Carlos Alberto Silva. Eu fiz cinco, seis jogos, e quando iam começar as Eliminatórias eu me machuquei, em Cochabamba, na Bolívia, e fui cortado. Aí o Jorginho foi convocado. Seria eu quem iria disputar a Copa do Mundo de 90, eu era o único lateral direito. O Carlos Alberto Silva dizia: ‘O Zanata é único porque ele não precisa de reserva, ele não se machuca, eu vou convocar ele e dois laterais esquerdos, mas para a lateral direita é só o Zanata'”. Uol notícias

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  • Função: Trainee
  • Cidade: Curitiba
  • Salário: A combinar
  • Empresa: L2r Comunicacao
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  • Função: Consultor Imobiliário
  • Cidade: São Paulo
  • Salário: R$5500
  • Empresa: Emci Construtora
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  • Função: Técnico Eletrônico
  • Cidade: São Paulo
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  • Função: Auxiliar de Manutenção
  • Cidade: Pouso Alegre
  • Salário: R$1030
  • Empresa: (Confidencial)
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  • Função: Auxiliar de Manutenção
  • Cidade: Passos
  • Salário: R$1030
  • Empresa: (Confidencial)
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  • Salário: A combinar
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  • Função: Pintor Automotivo
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  • Salário: R$1500
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  • Função: Gerente Comercial
  • Cidade: Fortaleza
  • Salário: R$2000
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  • Salário: A combinar
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  • Cidade: Ubá
  • Salário: A combinar
  • Empresa: (Confidencial)
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