Ex-superintendente do Ministério da Agricultura presa em operação presta depoimento nesta quarta-feira

Presa durante a operação “Lucas” da Polícia Federal, a ex-superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária, Adriana Carla Floresta, presta depoimento nesta quarta-feira (17) na sede da Justiça Federal, em Palmas. Além dela, outros dois presos participam das audiências de custódia, quando o juiz federal João Paulo Abe vai analisar a legalidade da prisão. A ex-superintendente do órgão é a principal investigada. Segundo a PF, ela recebia propina de frigoríficos e laticínios. Em troca, as empresas supostamente conseguiam burlar fiscalizações do Ministério da Agricultura e até anular multas.

A operação foi deflagrada nesta terça-feira (16) para investigar o esquema de corrupção. Foram cumpridos 62 mandados judiciais: 10 prisões temporárias, 16 mandados de condução coercitiva e 36 mandados de busca e apreensão nos estados de Tocantins, Pará, São Paulo, Pernambuco e Distrito Federal.

Dos 10 presos, três foram soltos após audiências de custódia realizadas nesta terça-feira. Outros quatro foram enviados para a Casa de Prisão Provisória de Palmas.

As propinas que teriam sido pagas a ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Tocantins, podem ter servido até para pagar os custos do velório e do enterro da mãe dela. É o que apontam as investigações da Polícia Federal. Segundo as investigações, ela usava dinheiro de propina para custear despesas com a faculdade de medicina dos filhos, além de viagens turísticas. O ex-marido, o marido e dois filhos dela também foram presos.

A decisão cita também que frigoríficos e laticínios usavam produtos proibidos na produção de alimentos, além de comercializar mercadorias contaminadas. Essas irregularidades, segundo o juiz, “têm sido acobertados por dirigentes da Superintendência Federal da Agricultura no Estado em troca de propina”. Porém, a decisão não especifica quais produtos teriam sido utilizados e quais alimentos foram contaminados.

São citadas na decisão as empresas Paraíso Indústria e Comércio (Frango Norte), Indústria e Comércio de Laticínios Veneza, Laticínio Fortaleza, Minerva S.A., Masterboi e a Cooperativa dos Produtores de Carne e Derivados de Gurupi (Cooperfrigu).

Durante o período investigado, entre 2010 e 2016, a PF descobriu por meio da quebra de sigilo bancário, que houve uma movimentação no valor de R$ 13 milhões em contas ligadas a superintendente e parentes. Destes, apenas R$ 3 milhões eram provenientes de remuneração salarial.

“O que excede a isso é uma movimentação de crédito sem uma origem. Boa parte dessa movimentação não identificada que chega a R$ 8 milhões é uma movimentação de origem de alguns frigoríficos ou pessoas ligadas a frigoríficos e laticínios. Houve decretação de bloqueio de bens de aproximadamente R$ 2,2 milhões do núcleo familiar da servidora porque até o momento é esse o valor que temos a certeza de que houve a locupletação pelo ilícito”, disse o superintendente da PF Arcelino Vieira.

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Os pagamentos, segundo a Polícia federal, eram feitos mensalmente com valores fixos entre R$ 4 e 5 mil. Um dos frigoríficos chegou a fazer 40 depósitos na conta de Adriana Carla. Com o pagamento de propinas, as empresas supostamente conseguiam burlar fiscalizações do Ministério da Agricultura e até anular multas.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi usou uma rede social para dizer que os servidores envolvidos no esquema de corrupção desarticulado pela operação Lucas serão afastados. Segundo o ele, os envolvidos serão investigados em auditoria e poderão ser exonerados.

 

 
Fonte: G1 
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